Anderson Almeida

Relações Interpessoais no Trabalho, Você “SABE SE PORTAR!!!!!!!!!!!!!!!!”

Dentro do ambiente laboral, as relações pessoais devem ser as mais claras e respeitosas possíveis, dentro da urbanidade e civilidade, ou seja, você deve tratar e ser tratado com educação e bons modos.

Mas em um ambiente de modificações constantes, com uma grande diversidade cultural, social e intelectual, onde os valores morais e religiosos têm uma diversificação e importância ainda maior, questiono, como agir?

Vamos tomar, como exemplo, o título deste artigo, a princípio não vemos nada de errado com ele certo? Assim poderíamos nos comunicar com um colaborador via email, destacando-se alguma necessidade em caixa alta ou caps lock, e reafirmando essa urgência ou necessidade com pontos de exclamação, tudo em perfeita ordem. Só que não, ou para os mais modernos, “sqn”.

Redigir em caixa alta dá a conotação de estarmos gritando com a pessoa que está lendo, e a quantidade excessiva de pontos de exclamação, somente reafirma esta “gritaria”. Essa forma de expressão representa para a pessoa que está recebendo o e-mail, que esse modo de se comunicar e pedir algo, está sendo indelicado e extremamente rude, podendo ocasionar a ele um sentimento de indignação ou aflição, deixando o ambiente de trabalho pesado e de difícil relacionamento, caso o emitente continue a se comunicar repetidamente desta forma.

Agora imaginemos uma empresa com vários gestores e uma quantidade ainda maior de colaboradores, com diversidade de gêneros, idades, escolaridades, sexo, religião, opções sexuais, identidade de gêneros, uma enorme diversidade de pessoas, novamente pergunto: Como devem os gestores se portarem no dia-a-dia, na cobrança de metas, divisão de tarefas e trabalhos? Quais meios “motivacionais” podem utilizar? Deve ser o gestor: impositivo, legal, amigável, severo? Quais atitudes devem ter no trato interpessoal com seus colaboradores?

E quanto à empresa? Ela deve impor ou dispor de uma cartilha demonstrando como os colaboradores devem se inter-relacionar? Pode a empresa indicar ou orientar, quais os assuntos ou “brincadeiras” são aceitas no ambiente laboral, aliás, o ambiente laboral tem que ser estritamente formal ou liberal?

Pode a empresa “indicar” que roupas os colaboradores devem utilizar, e na aparência: cabelos longos ou curtos, barba e bigode podem? Ainda a tatuagem é considerada de “boa aparência”, deixo à mostra meu dragão tatuado no braço, ou as fadinhas no tornozelo da colaboradora? Podem na sexta feira, dia de “casual day”, o tênis, sapatênis ou minha sandália de passeio? Para a colaboradora pode uma bermuda de alfaiataria, e para o colaborador pode a bermuda de praia?

Em um ambiente de trabalho cada vez mais plural, as ações e conseqüências, se tornam cada vez mais difíceis de prever, e as situações de atrito podem ocorrer a qualquer momento. Temos por exemplo, os ambientes compartilhados, onde o colaborador labora com fones de ouvido e para se motivar escuta sua banda favorita no caso AC/DC, mais precisamente a musica “Highway to Hell”, e este tão motivado, que no refrão canta e bate cabeça junto, e se esquece que o local de trabalho é compartilhado e que seus colegas não estão tão motivados com a musica quanto ele.

Na mesma situação, no mesmo ambiente compartilhado, onde os colaboradores podem estar participando de uma reunião “in a call”, ou reuniões remotas com outras localidades, fones de ouvido e microfone, mas ao falar esquecem-se dos outros colaboradores e exageram no tom de voz.

Concluindo, vimos que, de acordo com o exposto e indagado acima, as relações interpessoais são extremamente delicadas, pois os sentimentos, a forma moral e a dignidade de cada colaborador são únicas, e assim sendo, a empresa pode e deve ter uma cartilha de conduta e ética, mas sempre pautada no respeito ao colaborador, e na sua diversidade.

Então a dica é: invistam em capacitação, prudência e aprendizado. Parafraseando Dale Carnegie: “Ao lidar com pessoas, lembre-se de que você não esta lidando com seres lógicos, e sim com seres emocionais”.

Anderson Almeida é Consultor de empresas. Professor de Graduação e Pós Graduação na área do Direito do Trabalho.